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Julho das pretas: quem são as mulheres negras latinas e caribenhas

Ser mulher é lutar diariamente contra diferentes tipos e níveis de opressões. Ser mulher negra amplia e aprofunda as lutas. E ser mulher negra latina e caribenha ainda mais. Tanto que o dia 25 de julho é marcado como o dia delas. Mas, quem é a mulher negra latina e caribenha e porque elas são celebradas? Continue lendo e saiba mais.

Quem é a mulher negra latina e caribenha?

54% da população brasileira é negra. Quando falamos de América Latina e Caribe, essa população chega a 200 milhões de pessoas. Dentro desses registros, encontram-se mulheres para as quais os números relacionados à opressão de gênero e raça são diferenciados.

Mulheres negras latinas e caribenhas fazem parte dos 15 países onde acontece o maior número de feminicídios do mundo, segundo a ONU. Além disso, as mulheres negras dessa parte do mundo recebem salários cerca de 70% menores que as mulheres brancas, segundo pesquisa de 2016 do IPEA. 

Esses são alguns dos muitos desafios diários dessas mulheres que, desde 1992, têm em julho o mês em que são reconhecidos esses obstáculos, aumenta-se a consciência sobre o assunto e discutem-se quais os próximos passos. 

Por que se comemora o julho das pretas

Em 1992, mulheres negras caribenhas se uniram e, na República Dominicana, em Santo Domingos, organizaram o primeiro Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas. Nesse primeiro encontro, discutiram-se o machismo, o racismo e formas de combatê-los. Ele aconteceu no dia 25 de julho, data que ficou marcada e é comemorada até hoje. 

Aqui no Brasil, a figura que representa essa luta e de diversas mulheres que mudam a história é Tereza Benguela.

Quem é Tereza Benguela?

Tereza Benguela foi rainha do quilombo de Quariterê, no Mato Grosso do Sul. Era esposa de José Piolho e a liderança feminina mais conhecida dos quilombos coloniais no Brasil. Chamada também de Tereza do Quariterê, sua história não tem muitos registros. Sabe-se que era uma africana escravizada e que talvez tenha chegado na área de mineração por volta de 1730. 

O quilombo de Quatiterê tem os primeiros registros no século de XVIII e, de tanto crescer, começou a ser observado pelas autoridades e foi destruído por volta de 1770. Lá, já existira um rei e, com sua morte, quem passou a governar foi a “A Rainha viúva Tereza”, cujo conselheiro era José Piolho e o capitão-mor José Cavalo. 

Segundo registros, com a queda do quilombo, Tereza foi capturada e suicidou-se na prisão. Ainda, no quilombo de Tereza, houve a reinvenção étnica junto a grupos indígenas do Mato Grosso colonial. No fim do século XVIII, os antigos moradores do quilombo, africanos, ensinavam aos indígenas português e sobre o catolicismo.

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Quem são as grandes mulheres negras brasileiras?

Além de Tereza Benguela, muitas mulheres compõem a história da mulher negra no Brasil. Angela Davis já dizia: “quando uma mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela.” Se há uma palavra para designar esse grupo de mulheres é mudança. 

Contrariando o plano sistemático de fazer o apagamento da negritude e, principalmente, das vozes de mulheres negras, muitas pensadoras têm levantado discussões importantes e feito pequenas revoluções de pensamento.

Podemos citar entre outras Helena Theodoro, Sueli Carneiro, Lelia Gonzalez, Conceição Evaristo, Maria Firmina dos Reis, Carolina de Jesus, Jaque Conceição, Aza Njeri, Djamila Ribeiro, Jurema Werneck, Neusa Santos Souza, Luiza Bairros, Erica Malunguinho. Quais são as mulheres negras latinas e caribenhas que você admira?

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